No dia 21 de Maio foi realizado um bate-papo entre os pais da Educação Infantil e 1° anos  com a psicóloga Débora Mendonça e o tema da conversa foi: “Crescer, um desafio para as crianças e para os pais”, foi um momento muito agradável e prazeroso que com certeza contribuiu significativamente com esta etapa tão desafiadora entre pais e filhos. 

 

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          Tema: Crescer, um desafio para as crianças e para os pais. Slide3

                                                                           por

                                       Débora Nunes C. de Mendonça –Psicóloga  

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                Crescer é um desafio constante para todo ser humano. Constante, porque a cada situação nova a vida nos possibilita um novo aprendizado, uma nova forma de ver e entender algo. Porém, existe uma tendência de querermos sempre o que já conhecemos, até mesmo se for ruim, pois o novo pode se configurar em algo pior; “Nada é tão ruim que não possa ficar pior” – lema que muitas pessoas tem como justificativa para evitar a mudança e o crescimento.

          Crescer é difícil porque exige de cada um de nós maior responsabilidade nas escolhas e decisões que tomamos e nas consequências de nossos atos. Acabamos sentindo medo de fazer errado e nos angustiamos pela exposição, natural, mas que ocorre frequentemente. “O que será que vão pensar? Vão me criticar? Se eu falar, mesmo sendo a verdade, vão ficar chateados comigo?” Essas são perguntas frequentes que fazemos a nós mesmos.

                Agora, se entendemos que crescer é algo difícil, imagina para criança. Ou melhor, imagina para os pais desta criança, que não quer que ela sofra em hipótese alguma.

                Assim como os adultos, a criança também vive uma ambivalência “crescer para fazer o que quero e não crescer para os pais continuarem a cuidar e decidir por mim”. E a maioria dos pais acaba “cercando” os filhos não deixando que eles desenvolvam autonomia e independência. Temos uma errônea impressão que somos pais mais eficientes quando precisamos dar comida na boca, trocar a roupa, preparar a mamadeira – já que o filho não quis comer comida – ninar para dormir… E a criança que é “cercada” pelos pais tem que usar mais energia para crescer. Lembro-me de uma mãe que atendi que e superprotegia o filho de 5 anos. Quando consegui falar sobre os perigos da superproteção ela me disse: – Sabe que sempre quando eu deixo ele na escola ele me pergunta se eu vou ficar bem sozinha em casa? Um dia ele foi dormir na casa de um amiguinho e falou para o pai na minha frente que não era para o pai me deixar sozinha em casa.

            Devemos cuidar muito com a superproteção, porque ela pode causar algumas consequências em nossos filhos:

  • Sentimento de Insegurança: a criança nunca faz nada sozinha e quando precisa tem medo, acha que não vai dar conta. Importante termos consciência que quando fazemos pelo nosso filho passamos uma mensagem muito ruim a ele: Você é incapaz.
  • Baixa autoestima: Por se sentir incapaz, sente-se diminuído. Isso pode ter duas vias: a primeira é se isolar, não ter coragem para iniciar atividades e não se posicionar perante situações; a segunda é ter que diminuir os outros para se sentir maior e melhor.
  • Baixa tolerância à frustração: como está acostumado a sempre ter alguém que faça por ele, a ouvir poucos nãos, não aprende a lidar com limites e, quando os recebe, fica com muita raiva, mostrando dificuldade em aceitar regras e combinados. Quando adolescente ou adulto pode desistir facilmente de um trabalho se as coisas não caminharem do seu jeito.
  • “Confusão” – Sou pequeno ou grande?: Aqui reside uma questão muito importantehttp://www.dreamstime.com/stock-photos-girl-question-image8895493 ligada à infância. Quando não retiramos os hábitos infantis no tempo adequado, a criança pode ficar confusa. Um exemplo disso é quando a mãe fala que o filho já é um mocinho e pode guardar seus brinquedos, mas dá mamadeira pra ele dormir. Outra coisa que pode acontecer é a criança ficar infantilizada. Continua a ter atitudes menores para sua idade, porque como os pais a tratam como bebê, ela sente-se e percebe-se como tal, levando isso para onde for. 

                Aproveitando este assunto, vamos colocar abaixo as idades adequadas para retirada desses hábitos infantis e algumas dicas de como fazê-lo.

Mamadeira – segundo os pediatras a mamadeira pode ser retirada com 1 ano de idade. Porém,desenhos-pintura-decoracao-quarto-bebes-criança-2
para nós o filho com um ano é um bebe ainda e por isso não conseguimos fazer a retirada tão cedo. Mas essa retirada não pode passar dos 3 anos. Quando os pais forem começar a retirada da mamadeira, devem ir antes com a própria criança comprar um copinho e pedir para que ela escolha. A partir da data que os pais estipularem, o leite só será oferecido no copinho. Se a criança não quiser tomar no copinho, os pais não devem voltar com a mamadeira.

alfineteFralda- o desfralde pode acontecer dos dois aos quatro anos, dependendo da maturidade da criança. Sabemos quando a criança está pronta para o processo quando ela começa a ficar incomodada com a fralda suja e quando se esconde para fazer coco, não querendo que ninguém fique perto. Às vezes o xixi é mais fácil da criança fazer no penico ou no redutor, o cocô já pode ser um processo mais demorado.

Slide3Chupeta- a maioria dos pediatras é contra a chupeta, mas muitas crianças acabam desenvolvendo esse hábito, especialmente durante a fase oral, que vai até os 2 ou 3 anos, quando elas levam tudo à boca. Passada essa fase, é hora de começar a tirar a chupeta, antes que seu uso cause problemas que vão muito além da posição dos dentes. Segundo os odontopediatras, o uso da chupeta pode favorecer alterações na respiração (pode predominar a respiração pela boca), na postura corporal, na fala e na mastigação.

can-stock-photo_csp3627143Dormir Junto com os pais- é importante que a criança acostume a dormir em seu quarto desde pequena. Quanto mais tempos pais demoraram para colocá-la em seu quarto, mais difícil vai ser o processo. O dormir com os pais também gera muita insegurança, e quando a criança tem que ficar sozinha em seu quarto é comum que chore e fale que está com medo.

      Uma dica importante é de não fazer a retirada de tudo ao mesmo tempo; melhor fazer uma coisa de cada vez. Outra dica é fazer a retirada na ordem que colocamos aqui: mamadeira, fralda e depois a chupeta.

     Se quisermos filhos saudáveis emocionalmente, seguros e com boa autoestima, devemos ajuda-los no desenvolvimento da autonomia e no desenvolvimento de valores. Desde pequenos podemos dar pequenas atividades que possam fazer sozinhos e auxiliá-los nas suas dificuldades. A segurança se estabelece quando somos capazes de acolher os sentimentos de nossos filhos mas também quando impomos os limites e as regras necessárias para uma boa convivência.

     Agora o mais importante é ensinar através de nossos exemplos, nas nossas atitudes e nas nossas ações do dia a dia. Sabendo que seremos exemplo, nos cobramos mais e nos melhoramos intimamente. Por isso que a tarefa de ser pai e mãe também nos ajuda a crescer.