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O volume de lixo eletrônico gerado pelos humanos somará, este ano, 65,4 milhões de toneladas, algo do tamanho de 200 edifícios como o Empire State. A cifra vem de um fenômeno crescente, segundo estudos das Nações Unidas, o que levanta um alerta para a necessidade de repensarmos, urgentemente, nossas ações na única casa que temos: a Terra.

Muitas vezes não pensamos nisso, mas para tudo o que compramos há retirada de matéria-prima da natureza, gerando desmatamentos e poluição. Por exemplo, aquela inocente calça jeans que foi encostada no guarda-roupa ainda em condições de uso porque outra, da nova coleção, foi comprada, gastou mais de 10 mil litros de água só na sua produção. 

A questão vai muito além do vestuário ou de outros produtos que nos cercam, chegando até ao nosso prato. Um relatório feito pela ONG Greenpeace aponta que, entre 2015 e 2016, quase oito mil metros quadrados da floresta amazônica brasileira foram desmatados, e a maior parte desta destruição é feita para pastagem de gado ou para vegetais plantados para alimentar rebanhos, problema que se agrava ao lembrarmos que estamos entre os dez países que mais desperdiçam alimento no mundo.

O consumismo é um dos maiores inimigos da sustentabilidade e a realidade fica ainda mais grave quando se observam as vítimas preferenciais da publicidade, hoje: as crianças, ainda incapazes de entender a relação entre causa e consequência e que, diante de pais muitas vezes mais ausentes, acabam conseguindo o presente numa fracassada tentativa de suprir a presença.

O consumismo infantil é hoje um dos grandes desafios globais. Pesquisas apontam que a influência de crianças nas compras domésticas chega a absurdos 80% e a consequência disso acontece em duas vias: na formação de uma pessoa que não consegue distinguir desejo de necessidade e na devastação cada vez maior dos recursos de um planeta que não mais consegue suprir nosso modo de vida.

Para se ter uma ideia do tamanho deste desafio, a ONG Global Footprint Network revelou, no ano passado, queem 8 de agosto a humanidade chegou ao limite de exploração de bens naturais que a Terra consegue repor. Ou seja, em quase todo o mês de agosto e todos os meses de setembro, outubro, novembro e dezembro, ficamos no vermelho, destruindo nossa casa.

Um outro efeito nocivo agravado pelos apelos consumistas, tanto às crianças quanto aos adultos, está na obesidade, já que muitos dos anúncios trazem inúmeros alimentos não-saudáveis. Segundo dados do IBGE, divulgados em 2014, cerca de 82 milhões de pessoas apresentaram o IMC igual ou maior do que 25 (sobrepeso ou obesidade) no Brasil. O Ministério da Saúde estima que 345.270 crianças estão obesas no país, muitas delas bombardeadas por propagandas de comida gordurosa e repleta de açúcar.

Diante desses números, que são apenas alguns entre vários estudos científicos globais, a questão que nos ocorre é: O que fazer? Uma boa notícia é que nunca a humanidade soube tanto sobre os caminhos a serem trilhados em busca da sustentabilidade, e as descobertas nesse sentido vão ganhando cada vez mais escala industrial. Outra excelente notícia é que a escola pode ser um microcosmo da transformação, um laboratório para uma nova realidade que se necessita para nossa própria sobrevivência. 

Abaixo, listamos algumas ideias mas queremos, com esta news, criar uma onda colaborativa, convidando você a nos contar o que faz nesse sentido. Responda a esta news contando alguma experiência que já teve transformando hábitos no sentido do consumo consciente e pela sustentabilidade, e montaremos um painel de ideias, enviando a todas as escolas OPEE em seguida.

Texto e atividades: Marcos Brogna | Fotos: Shutterstock e Pixabay

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O QUE A OPEE TEM A VER COM ISSO?  

Um dos eixos principais da OPEE é a Educação Financeira e ela é ensinada principalmente para fomentar o entendimento da diferença entre desejo e necessidade. Buscamos, com tal conteúdo, formar alunos capazes de ver no dinheiro um meio e não um fim, podendo aprender sobre os limites do consumo para a possibilidade de um mundo mais sustentável e solidário. Aprender a poupar, entender que nem tudo o que eu quero eu preciso, entender que o dinheiro não compra tudo são alguns caminhos que trilhamos.

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SUGESTÕES DE ATIVIDADES NAS ESCOLAS

Escambo: a realização de feiras de troca, nas quais os alunos levam brinquedos, livros e outros produtos que não usam mais para trocar com coleguinhas, ajuda a criar a cultura do reaproveitamento e diminui o consumismo.

Oficinas de reciclagem: com a ajuda de professores de várias disciplinas, pode-se realizar práticas de reciclagem de produtos diversos, em que os alunos “botam a mão na massa” e aprendem a teoria na prática, além de entender a importância de gerar menos lixo e reaproveitar o que seria descartado.

Hortas dos alunos: escolas que possuem espaço para tanto podem fazer pequenas hortas (horizontais, verticais etc) que sejam cultivadas pelos alunos (sob orientação de professores). Isso gera um maior entendimento do ciclo da natureza e do zelo que se necessita diante dela.

Oficinas de gastronomia: os produtos das hortas podem ser processados pelos próprios alunos em oficinas de gastronomia, nas quais os alunos podem aprender sobre o preparo do alimento, o não-desperdício, o aproveitamento de muitas partes de alimentos que são descartadas mas podem ser utilizadas e a convivência que nos une em volta de uma mesa.

Campanhas de arrecadação para reciclagem: arrecadar junto às famílias dos alunos óleo de cozinha usado, por exemplo (que poluem muito quando jogados na pia), ou lacre de latas de alumínio, destinando-os a instituições que os reciclem é um ato que não só diminui desperdícios como educa contra a poluição do meio ambiente. Quanto mais alunos e famílias participarem do processo, entendendo o porquê da necessidade de tais ações, melhor será o resultado. Clique aqui e veja matéria do G1 explicando onde descartar óleo usado

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SUGESTÃO DE DOCUMENTÁRIO: Terra, do Netflix

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SUGESTÃO DE LEITURA (PARADIDÁTICO): Trilogia Contemporânea/Sustentabilidade, da OPEE Editora. Para alunos do Ensino Fundamental 2 ou Médio, com atividades. Saiba mais em www.trilogiacontemporanea.com.br

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PROJETO INSPIRADOR: Criança e Consumo, do Instituto Alana

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INICIATIVAS DE EMPRESAS E INSTITUIÇÕES
-Rede de supermercados vai monitorar desmatamento de seus fornecedores: http://ciclovivo.com.br/noticia/carrefour-ira-monitorar-desmatamento-de-seus-fornecedores-via-satelite/
– Floresta vertical na China vai produzir 60kg de oxigênio por dia: http://virgula.uol.com.br/casa-e-comida/primeira-floresta-vertical-da-asia-tera-3-mil-plantas-e-produzira-60kg-de-oxigenio-por-dia/?cmpid=fb-uol#img=1&galleryId=1190198
– Fábrica em SP produz papel usando palha da cana: http://ciclovivo.com.br/noticia/nova-fabrica-em-sp-produz-papel-com-palha-da-cana-de-acucar/
– Projeto constrói corredores verdes no Brasil com jardins verticais em prédios: https://www.facebook.com/movimento90/?fref=ts

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VITALIZADORES NO CAPACITA OPEE
– Vídeo sobre consumismo infantil: http://www.capacitaopee.com.br/consumismo-na-infancia/
– Referências bibliográficas para Educação Financeira: http://www.capacitaopee.com.br/referencias-bibliograficas-educacao-financeira/