Elas, elas, elas, elas…

Afinal, o que é ser mulher?

Ser mulher não é fácil, nem aqui nem em lugar algum, e vem acompanhado de um histórico agressivo e repressivo, de subordinação a maridos, de não poder sair de casa, de apenas cuidar dos filhos e do lar, de não poder participar das decisões da sociedade. Hoje, em pleno século 21, as conquistas foram muitas, mas ainda vemos, no cenário do trabalho por exemplo, estruturas sociais e culturais que limitam a ascensão feminina. Para se ter uma ideia, a renda média anual da mulher brasileira é de 36 mil reais, enquanto renda média anual do homem brasileiro é de 62 mil, segundo o Relatório de Desigualdade Global de Gênero 2016 do Fórum Econômico Mundial.

Em muitas sociedades, antigamente a mulher não podia nem isso nem aquilo. Em algumas, ainda não pode. Infelizmente, em muitos lugares, como por exemplo na Índia ou em alguns países do Oriente Médio, ser mulher ainda se resume a repressão e até apedrejamento por suposto adultério. E, mesmo no Brasil, onde uma mulher é estuprada a cada 11 minutos, temos uma realidade bastante desafiadora. Mas a história já mostrou que a mulher pode tudo, mulher é tudo, porque dentro dela grita a própria essência da vida. 

O que seria do mundo se não existissem as mulheres? Frida Kahlo, ícone de resistência feminina, dizia “Sinto-me mal, e ficarei pior, mas vou aprendendo a estar sozinha e isso já é uma vantagem e um pequeno triunfo”.

Há anos e anos, a mulher prova a sua liberdade tendo de lidar com linhas contínuas e fugazes o tempo todo, buscando equilíbrio e felicidade, provando independência, provando capacidades e talentos múltiplos, desconstruindo padrões. Quer um exemplo? As mulheres mostraram que existem e podem atuar nos esportes e em profissões que eram consideradas só para homens como a engenharia, ou pilotando aviões e navios. Elas impuseram e impõem direitos sobre seus corpos, como Waries Dirie, da Somália que se tornou embaixadora após anos, depois de sofrer mutilação genital em sua tribo e fugir por não querer se casar com um homem de 60 anos, aos 12 anos de idade. Ou como Maria da Penha, que vive numa cadeira de rodas devido às agressões do ex-marido, mas que nomeia uma lei que sintetiza a conquista feminina no país, Porque ser mulher é lutar, constantemente, por uma liberdade conquistada a cada ação. 

Esse texto é para você, mulher, forte, que acorda cedo e decide ser mulher, que vai trabalhar e ao chegar cansada ainda faz comida e estuda com seus filhos; que acorda cedo, labuta e depois ainda corre para a faculdade; que não desce do salto; que põe um tênis ou chinelo e não se importa com o que digam; que vai sozinha apreciar o seu tempo de academia, seja o mínimo que for; que escolhe ficar em casa no sofá porque você merece; que luta contra os inúmeros assédios de todo santo dia; que faz o que quer independente do que dizem; que ainda tem de escutar que pede para ser estuprada ao usar as roupas com as quais se sente bem, que ainda mantém a pose ao ouvir que tem que seguir algum tipo de padrão; que busca ser o que você quiser ser, porque você pode, você deve!

Mas este texto também é para você, homem, que consegue enxergar na mulher um ser autônomo e capaz de participar e decidir, um ser inspirador, digno de todo o respeito. Gilberto Gil, numa de suas mais lindas músicas, diz que sua porção mulher, que até então se resguardava, é sua porção melhor, é o que o faz viver. Curiosamente, ele chama a música de “Super Homem”, e a inicia dizendo que um dia imaginou que o mundo masculino bastaria. E logo depois conclui: “Que nada! Pudesse todo homem compreender, oh, mãe, quem dera, ser o verão o apogeu da primavera. E só por ela ser”. Ela, a mulher.

O que seria do mundo sem as mulheres? Sem as mulheres que inspiram, encantam, educam, transformam, enfrentam! O que seria dos homens sem as mulheres que os cercam e sem a porção mulher que também vive dentro deles? Até porque, já disse Simone de Beavoir, ninguém nasce mulher, mas se torna mulher.

Que possamos, homens e mulheres que educam (e são tantas as mulheres educadoras!!!) desconstruir o machismo que há dentro deles e também delas, ensinando às crianças, aos jovens e aos adultos, que somos todos humanos, independente de nossos gêneros. E que, na diferença que nos caracteriza em tudo, precisamos construir igualdade de direitos.

Parabéns a você mulher! Que acordou mais um dia e decidiu ser mulher, indo buscar o que é seu: o mundo. Parabéns a você, homem, que aprendeu a entender a grandeza feminina.

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Abaixo, uma campanha que fizemos com diversas mulheres em várias situações conquistando seu espaço e seus direitos. Se quiser, pode usar em suas redes sociais, em seu site ou no mural de sua escola. 

Texto: Thainá Prado e Marcos Brogna | Artes: Marcos Brogna